2 de fevereiro de 2006


UM PROBLEMA NA CANALIZAÇÃO

Da multiplicidade de arguidos no caso de corrupção conhecido como "Apito Dourado", foi deduzida acusação contra apenas 29. Todos de Gondomar (nenhum do Porto, graças a Deus, que por momentos até se pensou que... Felizmente que Deus é Pai e, por isso...).
Na hora de apertar, a "Justiça" portuguesa faz como sempre, "não tem bem a certeza" se deve incomodar ou não. E os que provavelmente se encheram com dinheiro sujo, escapam-se pelo ralo do lavatório. Um, a um, vão sumindo, sumindo...
Se houver algum canalizador na sala, por favor, manifeste-se!

SAUDAÇÃO
De vez em quando esqueço-me de acenar aos amigos que visitam o Prazer_Inculto, de Lisboa ao México, do Montevideu à Inglaterra. Muitos, do Brasil (hoje, a Goiânia esteve representada, um abraço para os amigos do Palácio das Esmeraldas).
Bem-vindos, a todos os que falam a nossa língua.

1 de fevereiro de 2006

SOCORRO! VEM AÍ O GRANDE HORROR!

Para quem acha que não há ligação entre o capital e o jornalismo faça favor de ler o gigantesco artigo do DN, precedido de chamadas alarmistas de capa, sobre as consequências da proibição do tabaco em locais públicos em Espanha. "PORTUGAL PERDE MILHÕES COM A LEI ANTITABACO ESPANHOLA" e "Fisco pode perder 90 milhões". Resumindo, a matéria chama a atenção para o GRAVE PROBLEMA que é o preço do tabaco ter descido em no país vizinho (para responder à concorrência da proibição) e a possibilidade daí decorrente de que os portugueses VÃO LÁ COMPRAR. Menos impostos, mais contrabando. O horror. São chamados a depôr no artigo, a Brigada Fiscal e até esse senhor inexplicável que está à frente do Conselho de Prevenção Contra o Tabagismo, Paes Clemente. Este senhor (o mesmo que veio afirmar, tempos atrás - baseado sabel Deus em quê - que apenas 19% da população portuguesa fuma, quando entra pelos olhos dentro que este número andará no mínimo próximo dos 50% ) mostrou-se "tranquilo". Tranquilo numa altura que se constatou que a lei proposta pelo anterior ministro da Saúde foi metida na gaveta e adiada até às calendas gregas. Tão tranquilo como a Tabaqueira que afirma condescendente que a lei já proíbe nos locais onde as pessoas são "obrigadas a ir", como Hospitais ou bancos. Não sei quanto é que o nosso "defensor" ganha, mas é demais. Nem que seja o dinheiro do passe do autocarro, dada a óbvia incompetência. Nem quanto é o salário de cada administrador da Tabaqueira. Mas quanto a estes últimos, estou "tranquilo", já que estes estão definitivamente a fazer o seu trabalho bem feito.

ps: também descobri o quer dizer a expressão "fumador passivo": somos nós, os bananas que levamos com o fumo e nos retiramos, pedindo desculpa de estar em espaços públicos.

31 de janeiro de 2006

É PRECISO DIZER COM FRONTALIDADE




Esta é a razão porque permanecemos todos em Portugal.

30 de janeiro de 2006


ERRATA

Sinto que às vezes exagero ao mencionar que vivemos tempos de desvario e conservadorismo tacanho ao mesmo tempo.
Com o meu pedido de desculpas, aqui vai uma imagem da nova colecção Primavera-Verão 2006, da Christian Dior.


MATRIXBURGUER

Para os que não têm medo de tomar a pílula vermelha, aqui está um endereço: http://www.themeatrix.com/portuguese/

29 de janeiro de 2006

A CONSTITUIÇÃO E A LEI

Duas mulheres portuguesas preparam-se para desafiar a lei e pedir (repito, pedir, e com pouca esperança) que a Constituição da República Portuguesa se cumpra no que toca à não-discriminação pela orientação sexual. Este movimento de questionamento sobre a justiça veio do interior de um partido (dos que vivem do dinheiro dos contribuintes)? Do interior da Assembleia da República? Das eminências pardas que, diária ou semanalmente, nos dizem pela televisão o que pensar? Não. Veio de duas mulheres que sentem na pele o que é estar condenada a ser cidadão de segunda. À invisibilidade. Ainda por cima (pelo que se viu na reportagem da Sic) não são provenientes de uma classe particularmente instruida ou economicamente saudável. São duas mulheres, iguais aos outros não sei quantos milhões delas, que querem existir. Será naturalmente o princípio de uma batalha que é capaz de nem ir longe. Por agora. Sempre foi assim.
Sabem por que razão os supra-citados representantes não mexem no assunto? Porque eles próprios não concordam. Basta jantar, tomar um copo numa ocasião não-oficial, para que a homofobia salte. Mesmo dos gays (não-assumidos, claro) eleitos. Mulheres juntas, só em filmes porno, e mesmo assim, para dar tusa aos homens.
Às vezes dá vontade de lhes gritar que mexam esses cus inúteis ( falo em sentido metafórico) e que defendam quem os elegeu. Todos os que os elegeram. Que parem de lamber as cruzes a quem usa o dinheiro para mexer os cordelinhos e que cumpram o seu dever.
O dever para com mulheres e homens que moram nos subúrbios, ou nas cidades de província. Que dizem "prontos" e passam os domingos nos hipermercados. Mas que nem assim (ou por isso mesmo) deveriam alguma vez ser tratados como gente descartável.

NEVE EM LISBOA

Estranhei ver a chuva começar a voar.
Afinal, embora de forma ténue (por enquanto) o impossível aconteceu: caiu neve na capital.
Quem sabe se a nuvem de pessimismo (com razões) que paira sobre o país não se transformará um dia numa coisa clara e luminosa...

27 de janeiro de 2006

RON MUECK

Em boa hora, o Rui Carvalheira me chamou a atenção para o trabalho deste autor.
Há qualquer coisa de mortal no seu hiper-realismo. A vulgaridade humana fica sem escapatórias. Um corpo é um corpo. Uma mulher velha é uma mulher velha. Um gigante é um homem exageradamente triste.
Para aceitar, antes de continuar a viver.

E contudo...

Mais aqui ou aqui.

23 de janeiro de 2006

AMÉM

Pergunto-me, que relação existe entre este site e este....
Imagino que uma pergunta destas, duzentos anos atrás me conduziria às masmorras e daí à fogueira... A uma fogueira qualquer.

CAVACO É FIXE!

Ora o homem aí está. À 2a foi de vez. A maioria assim decidiu. E a democracia é isto. E, honestamente, Cavaco Silva é o rosto do Portugal que vivemos. Inculto, novo-rico e crente que o sucesso é fazer uma estrada que leve até aos hipermercados. Será "boa pessoa"? Provavelmente. Representar o país é que é outra coisa...


Deselegante, seria, no mínimo, a decisão do primeiro-ministro José Sócrates em discursar ao mesmo tempo que Manuel Alegre. As televisões fizeram o jogo e o discurso do deputado que conseguiu um milhão de votos contra a máquina partidária do governo foi silenciado. Ou eles assim pensam. Se alguém tinha dúvidas sobre a impiedade da política bastaria ver a maneira como Sócrates, que tem tomado algumas medidas importantes, se apressou a dar a estocada final no candidato presidencial. Seria assim tão difícil; custaria assim tantos votos, admitir que se apostou no cavalo errado? Seria mesmo necessário recorrer a uma estratégia tão baixa e evidente para "ganhar".
Manuel Alegre e os seus apoiantes vieram dizer duas coisas. Para o interior do partido afirmaram que ainda nem todos os homens que acreditam em ideais estão mortos. Para o exterior, que é possível alguém ser eleito sem máquina partidária a preparar-lhe o espectáculo. Ora, qualquer uma das duas propostas é insuportável para uma classe política onde o sentido de justiça foi há muito substituido pelo apunhalar a eito quem se meter no caminho para o poder.
Perdoai-lhes, Senhor, que eles não sabem mesmo o que fazem...

20 de janeiro de 2006

PRESIDENCIAIS

A coisa não provoca grande excitação, dado o perfil dos candidatos. Excluindo os não-elegíveis que sabendo-o tentam ganhar votos para o partido que representam, restam 3. Um que deveria ter sabido retirar-se enquanto tínhamos dele a ideia de ter prestado um bom serviço ao país, outro de quem só conhecemos a poesia e (parece) um coração dado às causas perdidas (como a democracia, a prevalência da inteligência e da emoção sobre a imbecilidade e por aí fora...) e, apoiado em bloco pela Direita (o que nunca é bom sinal para o mexilhão) um ex-primeiro ministro. Ao que tudo aponta, este último deverá ser o vencedor, logo a despachar. Não ficarei surpreendido. Santana Lopes também chegou a presidente da Câmara de Lisboa, o que era impensável, e mais tarde a primeiro-ministro, o que nem ao diabo lembraria. A depressão que atinge o país não tem só origem nas dificuldades económicas. Deriva também do espectáculo de ver aceder a lugares de poder pessoas, oriundas dos aparelhos de poder, da lambe-botice despudorada e da incúria nas escolhas (veja-se a Cultura, por exemplo, e a forma como o actual governo a tem deixado ao deus-dará; ou na câmara de Lisboa, a pavorosa equipa resultante das últimas eleições - que ainda se "está a organizar", desde Setembro!- e que nos deprime a todos). Passámos de um Estado em que as pessoas eram nomeadas exclusivamente por cunhas, para outro em que os cargos são ocupados por incompetentes que sobem à dentada.
Não ficarei surpreendido se alguém que leu pouco e parece entender ainda menos da diversidade que compõe o país for eleito. Direi até mais: será porque Portugal está mesmo a merecê-lo.

17 de janeiro de 2006

IN AMERICA

"O condenado à morte mais idoso da história do estado norte-americano da Califórnia foi executado esta noite, na cadeia de San Quentin. Para além de cego, surdo e diabético, Clarence Ray Allen, que ontem fez 76 anos de idade, sofria de problemas cardíacos e estava confinado a uma cadeira de rodas." in PÚBLICO
Ao que consta, o homem ainda terá resmungado, enquanto tropeçava no corredor:"Não sei para onde me levam, mas se é para a injecção da gripe, mais vale matarem-me. É que fico todo doído das agulhas".
George Bush enviou um perú à família do condenado.
SAY: BYE BYE!

O Rui C. enviou-me este endereço fatídico.
Só para corações fortes.
"Nós os ossos que aqui estamos..."
www.findyourfate.com/deathmeter/deathmtr.html

16 de janeiro de 2006

AINDA A RADICAL

Outra série de culto a não perder, passa aos domingos e repete (julgo) às segundas, é "Shameless", na Sic Radical. Uma família de Manchester levemente perturbada.
Afinal, televisão não é só lixo. Os programadores têm é que trabalhar um bocadinho para encontrar as pepitas. Mais informações aqui.

SEGUNDA-FEIRA 13

Hoje é dia de azar na casa: a máquina de lavar roupa avariou, a instalação eléctrica começou a largar faísca e descobri que uma chávena de café, incontinente, se descuidou por debaixo do teclado.... Mas se excluirmos o facto de ter de escrever embrulhado numa manta, já que não dá para ligar o aquecimento, a coisa não está mal de todo. Pode ser que a minha escrita se torne um pouco mais fria e racional, agradando mais à crítica literária.
Por falar em crítica, desta vez quotidiana, é interessante ver como os nossos jornalistas ficaram assustados com a medida espanhola anti-defumação. No "Expresso", a minha colega Inês Pedrosa, vem alertar para o perigo das medidas que pretendem submeter toda a gente "às regras do rebanho", o "novo PREC" (Período Revolucionário Em Curso, 1975). O ataque aos "direitos dos fumadores" também são defendidos numa nova revistita que vem com DN, a NS, que diz NÃO PODE SER, à "cruzada" que além de impedir os menores de comprar tabaco (perdão amigos nordestinos pelo uso da palavra, que por aqui não quer dizer o mesmo) ainda os impede de frequentar os locais onde o fume abunde. De facto, não se percebe a incoerência.
Estou solidário nesta inquietação que não deixará de produzir os seus frutos entre os panacas/interesseiros que nos governam. E queria acrescentar que além do direito a poluir o espaço dos outros, também deveríamos fazer qualquer coisa contra as medidas absurdas que impedem os nossos cães de cagar nas portas dos vizinhos, a masturbação nos restaurantes, o apalpar de toda a gaja boa que passe na frente e, o mais importante, o simples chamar "realíssima puta" às funcionárias dos correios que demorem a atender-nos.
Afinal, onde está a liberdade dos portugueses? Força, companheiros, unidos esculhambaremos!

14 de janeiro de 2006

PIONÉS

A Sic Radical continua a dar cartas no humor português, ou no que poderia se o aparecimento de novos valores. Estreou um novo programa, Pionés, de uns amigos das Caldas, cheio de graça e muito nacional. A provar que o país não é só (nem de perto) Lisboa. E que esse cancro chamado RTP poderia estar a prestar serviço público se abrisse os seus canais a novas propostas. Em vez de continuar a envergonhar-nos com o gasto indecente do dinheiro público a alimentar medíocres. Eu sei que isto não é novo, que toda a gente acha que é uma doença crónica. Mas quando vemos empresas a fazer muito com pouco lembramo-nos de que as coisas poderiam ser diferentes.
Mais, aqui.

12 de janeiro de 2006

LIBERATUS

O desvairado que há vinte anos atrás pregou umas facadas no Papa foi posto em liberdade provisória. O Vaticano já veio dizer que "iria respeitar a decisão do tribunal", para alívio do juíz. Contudo, perante o protesto de alguns grupos religiosos, João Paulo II foi forçado a ressuscitar por algumas horas e pedir que "não lhe lixassem o esquema de canonização que estava a ir tão bem". E acrescentou ainda que "Nossa Senhora mandou dizer que se não pararem com essa merda, vai ter de subir de novo para cima de uma azinheira e fazer o sol rodar. Em cima das vossas cabeças". Antes de subir ao céu, parecendo um pouco mal-humorado, o ex-papa ainda acrescentou: "Ah: e rezem o terço!".


ps: Lembra o meu amigo Carlos, e bem, que afinal foram tiros de pistola. Ora, pistola, faca, chicote de sete rabos... o que interessa é que a gente vá para o céu e que na terra, o nosso nome sirva para justificar os jogos de poder de quem cá fica.
AINDA A QUESTÃO DO TEATRO NACIONAL

Sobre o assunto abaixo referido, o Rui Zink escreveu e enviou a sua opinião:

"Muito barulho por nada

Soube pelos jornais que uma nova equipa vai dirigir o Teatro Nacional ? por algum tempo. Nestas coisas de cultura, como noutras, é bom que toda e qualquer gestão seja apenas "por algum tempo". Essa equipa, tal como a que ora finda o seu consulado, é constituída por pessoas que, pela sua competência, pelo seu currículo, pelo seu amor ao teatro, me merecem o respeito ? e deviam merecer aos outros.
Pelo que li, a nova equipa tem por projecto central promover e divulgar o teatro português ? isto, supunha eu, devia ser uma evidência. No entanto, parece que causa escândalo a alguns Senhores da Guerra. Um publicista que talvez um dia dê um bom ministro da Cultura (mas por enquanto ainda não o é) escreveu mesmo, sem pudor, que "do Teatro Nacional são banidos Eurípedes, Shakespeare, Racine, Strindberg, Tchekov, Brecht, Pinter e Shakespeare" (Augusto M. Seabra., Público, 8/1).
Compreende-se que cada pessoa defenda os seus amigos e interesses com paixão ? mas mentir é feio e insultar a dignidade profissional dos outros também. E sim, isso sim, é muito mau teatro. .
Compreende-se que cada pessoa defenda os seus amigos e interesses com paixão ? mas mentir é feio e insultar a dignidade profissional dos outros também. E sim, isso sim, é muito mau teatro.

Rui Zink"

10 de janeiro de 2006

A VIGÍLIA


Parece que, apesar do frio, um grupo de "artistas" resolveu reunir-se em frente ao Nacional. Como não li o Público, não sei se a coisa resultou ou não. Mas lá convocação por sms, houve...

Para os amigos quem moram longe façamos uma descrição simples:
Quando os governos mudam (no caso português, "alternam") o novo ministro muda toda a gente que esteja à frente dos departamentos, secretarias, teatros, direcções gerais e por aí fora. É por isso que tanta gente aparece nas campanhas políticas, apoia-se o partido X e depois ele paga com uma panela cheia se for eleito. Normalmente na cultura (sobretudo, e por tradição, a direita portuguesa) metem-se os que não servem para mais nada. Por isso temos os ministros que temos e os secretários que temos.
O governo actual resolveu mudar o director de um peso inútil (não no sentido da necessidade, mas sim no dos resultados práticos) a que se convencionou chamar "Teatro Nacional". Tinha até à data um cenógrafo, suponho, ligado ou do apreço do PSD e agora foi nomeado outro director teatral para essa função. Não sei se a nomeação foi política, de gosto ou de utilidade. A praxis remete geralmente para o primeiro caso. Não sei. Mas sei que a pessoa nomeada foi tratada publicamente por "merceeiro", "Quim Barreiros" (um cantor brega/pimba). Não sei em que se basearam para mimosear um colega dessa forma. Suponho que foi na superioridade intelectual do redactor/emissor.
Quando olhamos mais de perto os intervenientes neste "protesto" vemos que muitos deles fazem parte dos "artistas", unidos pelo facto de terem projectos a correr, ou corridos (do) no Nacional. Outros são amigos dos amigos do antigo director. Muitos são actores a precisar de trabalho e que avistam nesta mudança a perda de trabalhos futuros. Não especulo, baseio-me em casos concretos.
Um dos mais virulentos é precisamente alguém que vive pendurado do bolso dos contribuintes há décadas. As suas opções estéticas têm-nos massacrado a paciência e o erário. E, pela força do lobby suponho que o continuarão a fazer.
Esta ministra não é competente ou não deu até agora provas disso. O Carlos Fragateiro poderá ter no seu c.v. de director teatral opções discutiveis (o caso das desinteressantíssimas peças de Freitas do Amaral, para não ir mais longe), mas manteve o seu teatro cheio de público, preocupou-se com o texto dramático e deu sempre uma atenção privilegiada aos autores nacionais. Além do mais, e ao contrário do A. Lagarto, não ficou com o rabo sentado em casa quando era convidado para ir assistir a novas propostas noutros locais: ia, mesmo quando saía pouco entusiasmado com o resultado. Isso, eu vi. Não dá preferência aos pintéres, fingindo que descobriu a pólvora e que esse acto faz dele um génio.Não precisa: já cá andam outros a fazê-lo.

ps: Não, não vou ter uma peça representada em breve no Nacional. E, não, não sou amigo do Fragateiro. E, não, não acredito em uniões desinteressadas de partes interessadas. Esclarecido?

6 de janeiro de 2006

LITERATURA BRASILEIRA

Do Brasil, via meu amigo Luiz Ruffato ("Eles eram muitos cavalos", a sair em Portugal em breve, entre outros títulos), chega-me a notícia de que o jornal literário RASCUNHO, o único jornal do género no país, chegou à net.
Entre outras secções, conta com "Oceanos", onde podemos ler (a lista cresce) textos de autores de língua portuguesa, não-brasileiros.
Nâo será tão bonito como em papel (um formato grande e, como diria o Carlos Pinto Coelho, "gostoso"), mas mais acessível para nós.
Aqui. Basta clicar.
RECEBER E DAR

Ontem, discordava de mim um amigo meu (sócio de uma pequena empresa) quando eu defendia a obrigação social das empresas. Parece-me lógico que quando um grupo tira de uma comunidade uma grande quantidade de dinheiro deva contribuir em troca para o bem-estar e educação dessa mesma comunidade. Seria até lógico: uma população educada e saudável tem, geralmente, mais condições financeiras para consumir. Seria, digo.
O que se verifica na prática é que os benefícios circulam numa só direcção. Uns produzem e lucram. Outros consomem e pagam. Esta distribuição de tarefas estaria bem se não fosse escandalosamente desiquilibrada. Se não estivessemos a falar de um país que dispõe de poucos recursos e onde a cultura, a saúde e a educação têm um longo caminho pela frente.
O meu amigo defendia que se as empresas ajudassem as comunidades obteriam disso benefícios para a sua imagem, aumentando a sua competitividade. À pergunta, "quantas empresas assim conheces?", só me pode responder com o nome de 2 (e ainda assim, discutíveis...).
Não vivemos num país generoso. Gostaríamos de viver, mas isso não acontece. A riqueza é distribuída de forma razoável quando a legislação a isso obriga. E, de qualquer modo, não há grande espaço para nos lembrarmos dos outros quando somos diariamente bombardeados com a palavra "crise", ou com frases como "competir de qualquer forma para não ir ao fundo".
Se os nossos políticos não andassem preocupados com manterem os tachos sem fazer ondas, poderiam começar a pensar em formas de obrigar as empresas mais lucrativas a desenvolver projectos que ajudem quem os cerca e consome os seus produtos. Aposto que se fosse obrigatório não tardaríamos a ver patrões com ar satisfeito a posar ao lado dos que menos podem ou têm.
Seria outra vez Natal, no fundo... ;)

3 de janeiro de 2006

ESPANHÓIS: MIL- PORTUGAL: ZERO

Todos os dias saem leis em Espanha que se nos remetem para o atraso confuso em que patinamos. Por mais que tenhamos Aljubarrota entalada na garganta, somos forçados a ver que a Espanha do ponto de vista da democracia e do progresso social não está aqui ao lado: está lá à frente.
Hoje foi promulgada a lei que remete o acto de fumar para o ar livre. Os espanhóis já não podem encher a comida das outras pessoas de fumo, ou afastar por incómodo os não-fumadores dos lugares públicos e fechados. Ninguém está proibido de fumar. Mas vai ter de o fazer onde não chateie.
Cá não, claro.
"Contactado pelo DN, o porta-voz do Ministério da Saúde explicou que o trabalho de revisão do diploma da anterior tutela "está a ser ultimado". Tabaqueiras, restaurantes e discotecas estão a ser consultados e a Direcção-Geral da Saúde "já concluiu a sua parte do trabalho". Não há pressa? "Pressa há, e o documento já podia estar pronto, mas a lei antitabaco envolve a consulta de muitos parceiros.".
Um dos parceiros, a Tabaqueira apresentou um lucro de perto de 70 milhões de euros. Os seus administradores ganham milhares de contos de salários e alcavalas. Pergunto a mim próprio que conselho terão eles para dar ao ministério da saúde.
Entretanto, o mesmo ministério já anunciou que os miúdos que vemos aos magotes a fumar à frente das escolas e nos centros comerciais vão ter de pedir aos amigos com mais de 18 anos que lhe comprem os cigarros. Os de 16 já não podem. Parece que é uma ordem lá da Europa...

PARA O CARLOS, GRANDE OBSERVADOR DE BATALHAS NA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Parece mentira, mas consegui fazer uma moqueca decente, em Portugal.
Sem tacho de barro, é certo. E o peixe era do supermercado, ranhosito, benza-o Deus. Mas ainda assim, ficou comestível.
Considera isto uma nova rendição portuguesa, frente à ilha de Iparica. :)
PLANISFÉRIO PESSOAL

Durante todo o tempo em que estive em viagem pensei em colocar um agradecimento. Ao Gonçalo Cadilhe pelo seu livro "Planisfério Pessoal". Graças aos relatos, que tinha acompanhado parcialmente no Expresso, pude antecipar o sentimento de solidão que atinge o viajante ao fim das primeiras semanas. Num quarto ranhoso, nos confins do Pará, lembrei-me que a vontade de atirar com tudo ao ar e voltar para o quentinho (neste caso, fresquinho...) era natural e acontecia a todos. Também foi por ele que cheguei ao Lonely Planet que me foi da maior utilidade (com as respectivas falhas e interpretações americanas sobre o que é um "hotel de charme", claro).
E também me fez acreditar de que seria capaz de atravessar com muito pouco dinheiro um país do tamanho de um continente.
Mas o mais importante foi a velha dica de que o mais importante são as pessoas.
O resultado foi uma mala cheia de amigos e de recordações de conversas em volta de uma cerveja ou de um prato de "frango à passarinho".
Quando ele deixar de estar na moda e as meninas da Sic e das revistas passarem à novidade seguinte, ele que guarde o agradecimento deste leitor regressado.

2 de janeiro de 2006


SALVA, É BONITO E NÃO ESTÁ CARO!

Com o cardeal de Lisboa a condenar experiências que metam embriões excedentários, na mesma linha em que no Renascimento se proibia a dissecação dos corpos para estudo, em que a Santa Casa da Misericórdia usa o dinheiro do jogo (euromilhões) para se promover em corridas de carros e o nosso maior banco privado tem ligações directas ao Vaticano, precisamos mesmo de conselho e ajuda.
Por isso, recomendo este livro ( $54.95 + portes de envio) ,um Missal Diário, de 1962 (antes da desgraça que foi o Concílio Vaticano II), que segue directamente as indicações do Concílio de Trento.

Entre outras curiosidades poderemos aprender a rezar missa nas dioceses do Estados Unidos (o que dizer que não leve a processo e a idade indicada para os "coroinhas"... imagino eu) e um capítulo especial à "Igreja das Mulheres" (??).
Infelizmente, apesar de ser redigido segundo a teologia tridentina, não encontramos nenhum capítulo dedicado à "Queima e Destruição Por Todos Os Meios De Descrentes Naquilo Que Dizemos". Uma falha que se espera resolvida nos próximos anos.
Mais informações aqui
2006

Mais um que chega. Os anos sempre chegam e, o que é pior, passam.
Olhando para trás, e achando que passou tão rápido que não tive tempo de fazer nada de útil, descubro que escrevi 3 pequenas peças de teatro (uma das quais levada à cena - outra experiência, a encenação), co-escrevi e realizei 2 curtas-metragens, participei na selecção do melhor festival português de cinema, o Indie, publiquei um livro de crónicas, atravessei todo o Brasil de mochila às costas (quase sem dinheiro, claro, ou não fosse escritor na terra do triunfo do Light), iniciei a redacção final de um novo romance e trabalhei para que retribuir o afecto daqueles que fazem o favor de me gostar de mim. Entre outras coisas.
Não foi mau.
Para 2006, não peço muito: que o destino me mantenha perto dos meus e que estes se sintam felizes por isso, terminar de forma honesta a escrita deste livro e fazer um milhão de coisas não previstas mas que justifiquem o facto de me recusar a fazer "méééé´..." enquanto corro para o precipício.
Bom ano a todos.

30 de dezembro de 2005

O VOTO INÚTIL
Ontem, vi numa entrevista na tv, a modelo Diana Pereira, ex-lolita, transformada agora numa mulher jovem e inteligente, dizer que apoiava Cavaco Silva por ter uma "pequenina esperança de que ele pudesse fazer alguma coisa por isto". Isto é o país. Foi o seu único movimento menos feliz, nesta entrevista, e nem sequer por culpa dela. É apenas nova. Ainda não descobriu que os políticos são todos farinha do mesmo saco. Talvez isto a ajude:
Alguns posts abaixo referi que o projecto inenarrável de dislate de apoio ao filme do Carlos Saura pela EGEAC, Câmara Municipal de Lisboa, tinha sido detido pela oposição. Bem, o vereador da "cultura" voltou à carga, a coisa voltou a ser votada e aprovada.
A oposição, Carrilho, cdus e por aí fora, ABSTIVERAM-SE. Deixou de lhes parecer estranho que em tempo de crise, numa altura em que as artes perderam a quase totalidade dos apoios e os artistas portugueses lutam com as maiores dificuldades para sobreviver, a Câmara de Lisboa pegue em 1, 2 milhões de euros (perto de 250 mil contos) sejam oferecido ao velho "hermano". Mais IVA, por ser a empresa camarária (se for de 21%, será qualquer coisa como 252 00 0euros).
Como em todas as decisões enigmáticas, poderíamos usar a expressão "cherchez la femme", quem vai lucrar com isto? Porvavelmente alguém irá. E espero até que haja cumplicidades que tirem corrupto proveito desta decisão. Porque no caso contrário será apenas estupidez e delapidação do erário público. E isso ainda seria mais triste.

Meus amigos, se isto é normal, abram-me a porta do autocarro dos anormais que eu fujo com vocês.
Daí, minha querida Diana, que o teu Cavaco, por mais simpático que te pareça, não possa (nem provavelmente pretenda) fazer qualquer coisa por isto. Pelo nosso buraquinho com vista. É apenas mais um deles.

17 de dezembro de 2005


NATAL

Como vou estar em recolhimento natalício-escriturante, na província e provavelmente sem net, aproveito para mandar um abraço a todos. Amigos dos dois lados do Atlântico e dos dois lados do ecrã do computador. Aos que visitam este blogue desde a primeira hora e aos mais tardios.
Tranquilidade. Ao menos por uns dias.

16 de dezembro de 2005


UM MILHÃOZINHO PARA O TIO CARLOS

Fui poupado à visão de ver a lista do psd ser reeleita para a câmara de Lisboa. Depois de aturarmos o Santana, recebemos o sem-ideiasCarmona.
O psd tem um problema com a cultura: não tem ninguém com interesse que seja filiado ou simpatizante. Nem um.
Aliás tem dois problemas, sendo o segundo o facto de achar que a cultura é uma jóia ormanental. Uma coisa decorativa e inútil. Daí que permita que estas zonas sejam chefiadas por aqueles que não servem para mais nada. Os brainless do aparelho. Os ornamentais. O executivo anterior meteu lá uma senhora loura e argolada de que já nem me lembro o nome.
Este meteu o Amaral Lopes. Que é um senhor simpático. Pena não perceber a diferença entre a ponta de um sapato italiano e um filme romeno.
Neste caso, a diferença entre apoiar o cinema e estourar 1, 2 milhoes de euros com um realizador espanhol. Para seu desgosto, em reunião do executivo a oposição disse Não à ideia peregrina de pagar um filme sobre Lisboa com o dinheiro dos contribuintes. Assim, sem concurso.
De onde veio esta brilhante ideia quando o referido autarca ( e ex-secretário de estado, benza-o deus) apregoa que não tem dinheiro porque as sardinhas das marchas comem a maior parte do orçamento, é um mistério. Lembrou-se. Pronto.
Pior do que ter no departamento cultural um psd sem ideias é ter um com ideias.
Esta, pavorosa, foi chumbada. Mas outras virão. Podem ter a certeza.
CRÓNICAS DE Miguel Sousa Tavares

O jornalista colocou hoje um ponto final no trabalho que mantinha Há 14 anos com o Público. Muitos fomos os que nos habituámos a comprar o jornal à sexta-feira para o ler (e, de vez em quando, pelo INIMIGO PÚBLICO).
Nem sempre concordo com as suas posições. Mas acredito que ele acredita no que afirma. Pelo menos naquele momento. E isso, numa terra de oportunistas e de aldrabões instalados, respeita-se. Por ser raro.
Aqui lhe deixo um abraço e me junto ao coro dos que acham que há menos uma razão para continuar a ler jornais.
MATERNA 2

Quando se confia um texto nosso para adaptação, seja ao teatro ou cinema, entregamos a coisa um bocadinho nas mãos de Deus. Isto é: seja o que o Dito quiser. Adaptar é transferir para um novo meio aquilo que provém de outro regido por diferentes regras. O que não é fácil.
Mas é também um olhor de um "leitor" sobre o que foi feito e a respectiva filtragem e recontrução da obra original.
A adaptação de José Rui Martins e do Trigo Limpo-ACERT foi uma encantadora surpresa. Conseguiram fazer o SEU espectáculo respeitando escrupulosamente o que tinha sido um livro.
Personagens como Sacha, o-dos-olhos-azuis, ganham uma tridimensionalidade que não deixa de emocionar o antigo leitor. As figuras das meretrizes descolam-se das folhas onde se inscrevia a Túlipa Negra e movem-se, cantam e fazem rir.
O trabalho dos actores é, na sua generalidade, bastante bom. Boas soluções de encenação foram encontradas para uma narrativa inicial muito longa e variadíssima no espaço e no tempo.
Também o trabalho de cenografia é formidável, inaugurando-se o espectáculo com uma cadeia feita de luz e fumo esteticamente formidável.
Chamada de antenção para a música feita por alguns dos nossos melhores músicos e cúmplices da companhia. Entre outros Zeca Medeiros (o realizador de Xailes Negros e músico premiado este ano com o troféu José Afonso) ou Carlos Guerreiro (Gaiteiros de Lisboa...).
Nenhum crítico, que eu visse, se dispôs a percorrer os 300 km desde a capital ou a hora de carro que separa o Porto. Mas espero que ainda o façam, ou perderão um belíssimo espectáculo.
E não falo por mim, que a noite de alegria de ontem foi da companhia teatral e do público convidado.
ps: também é maravilhoso ver esgotar salas de 300 lugares para ver teatro.

14 de dezembro de 2005

MATERNA DOÇURA, a peça

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Estreia amanhã, a versão teatral do meu romance. Uma adaptação a cargo de José Rui Martins e do grupo ACERT - Trigo Limpo, sediado em Tondela.
Para quem mora na região fica o convite para a representação. Os outros terão de esperar pela digressão a efectuar em 2006.
Mais detalhes, aqui.
NOT SMOKE

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Portugal tem no consumo de tabaco um sério problema de saúde pública. Basta aterrar em Lisboa para se começar a sentir o cheiro. Depois avistamos as pessoas, em magotes, correndo para o primeiro sítio permitido e muitas nem isso respeitam. Fazer compras num centro comercial é ter a certeza de sermos obrigados a fumar vários maços. A experiência bem sucedida em vários países de restringir o fumo às zonas descobertas ou do domínio privado, nem sequer é tentada por aqui. É chata, vai contra uma dependência química enraízada e até é capaz de fazer perder alguns votos. Ninguém a vai apoiar publicamente, já que 90% dos jornalistas fumam e os deputados... parecem chaminés.
Dentro de alguns anos estaremos todos a pagar por esta negligência pública. Os contribuintes, com os impostos para pagar o miríade de maleitas associadas. Os fumadores-passivos, com cancros e enfermidades que nem sabem de onde lhes caíram.
Mas vai tudo bem, na terra do deixa-andar.

13 de dezembro de 2005

POR MIM, ABSTENHO-ME
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De volta a casa, vejo que está tudo muito diferente no país: O Malato e a loura continuam inenarráveis, na RTP, o Goucha e a loura não têm explicação, na TVI, a Fátima Lopes e o Donaldim entopem a Sic e por aí fora. Neste caso, nem as moscas mudaram.
Não assisti às eleições autárquicas, por isso só agora descobri que quase todos os arguidos por escandaleiras e corrupções foram eleitos de forma apoteótica. Como diria o Miguel S.Tavares isso só vem provar que cada cidade tem o que merece.
Gostaria de não estar para as presidenciais onde tudo se perfigura para ter um presidente gasolineiro que raramente tem dúvidas, nunca se engana e tem a sensibilidade de um elefante numa loja de louças no que toca às questões sociais.Só se for a poetisa da mulher que ajude à coisa. Desde que ela dedicou um poema ao Herman José, no programa em que este lambeu as botas ao político, que Portugal nunca mais foi o mesmo.
A hipótese B é um velhinho simpático, que já deu o que tinha a dar, entre charutos e aquela descontracção de quem viveu a maior parte da existência confortavelmente. Fez um bom trabalho, no seu jeito decorativo, mas já não há pachorra.

Ao meu lado dorme um gato que nem pensa nestas coisas. Ele é que tem razão. O resto é fogo de artifício. E do baratinho.

12 de dezembro de 2005

HOME

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O meu celular/telemóvel ainda anuncia que estou fora. Mas não é verdade. Já tomei chá sobre o casario de Lisboa. Já o Natal ganhou algum sentido porque embrulhado em frio.
Trouxe comigo desta viagem a memória de tanta terra como muita gente não conseguiu ver. Do Maranhão ao Rio Grande do Sul, os Brasis quase todos avistei.
Esta viagem não teria sido possível sem a ajuda de tantos amigos. E esse foi o presente inesperado e valioso que o destino me deu. É graças a eles que eu reconheço o sotaque do interior da Bahia e sei distinguir um caruru de um acarajé. Ou encontrei o Araguaia das minhas leituras e soube que nas suas margens vivem tracajaras e iguanas. Nem sabia que existiu um dia um presidente mulherengo que teve o sonho de unir o Brasil no centro, no meio do mato, lá onde os pontos se cruzam e a poeira vermelha botou fogo nos olhos dos boiadeiros. Deram-me conhecimentos, amizade e um sentido da hospitalidade que julgava perdido.
Neste regresso a casa o meu coração está com eles: Carlos, Ronaldo, Alaore, Luiz, Jorge, Bárbara, Lélia, André e todos os outros que não tendo aqui o nome ganharam a minha estima e gratidão. Obrigado pelo tapete macio que me lançaram debaixo dos pés.
Sem vocês, nunca teria atravessado o vosso país-continente.

7 de dezembro de 2005

JÁ VOU EM 4 REAIS E VINTE E QUATRO CENTAVOS DE NET
... No momento em que começo a escrever este post. E estou com uma dor de estômago, súbita e persistente. Daí que não dê para fazer balanço desta viagem que amanhã termina fisicamente (a aventura continua, mas agora de forma caseira, diante do computador e no frio português.
Aproveitei para me reconciliar com o Rio, indo a Santa Teresa, vendo os antigos casarões do início do século ( a que muitos cariocas adoram chamar "coloniais", esquecidos por certo da data da indendência do país-irmão - o mesmo tipo de esquecimento que leva colunistas de grandes jornais a incensarem livros escritos por estrangeiros, portadores da tese que D.João VI, a quem o Rio deve quase tudo o que o tornou maravilhoso, num cretino...). Claro que encontrei moradores a comentar que n noite anterior tiveram de se meter debaixo da cama por causa dos tiros. Mas isso é "normal", numa cidade refém da violência e que toma cerveja e fuma maconha até caír. Ou esquecer, o que é o mesmo.
Amanhã regresso ao país de onde saí. E, por uns tempos, não vou ser o mesmo.

5 de dezembro de 2005

iLHA GRANDe

Deixámos para trás as favelas, as histórias de traficantes que se condenam mutuamente à morte, de praias encostadas aos morros carcereiros acusadores. E chega-se ao mar do oeste. A escuna a abarrotar leva música do nordeste dentro. Os gringos deixaram o cérebro para trás. E eu também que o tempo é de pacificar.

E chega a Ilha que vive dos que chegam. E vem o mar e as ondas que misturam conchas e folhas da vegetacão antiga. Daquela que insistem em fazer desaparecer para enfiar campos de soja e dinheiro nos bolsos de fazendeiros e deputados, país fora. A vegetacão que aconchega montes em bico. Montes, não morros. Porque morro se tornou em plataforma de homem com fome. E este mar continua cheio de peixe.


29 de novembro de 2005

RIO

Ao contrário do que o resto do país parece acreditar, o Rio continua lindo.
A baía de Guanabara brilha, azul, os morros desfavelados estão verdes e o povo continua mais bonito que o resto do mundo.
Claro que eu circulo pela zona Sul. Desconfio que a Norte a coisa será menos colorida.
Mas com prudência, ainda podemos deixar cair o queixo de admiração.

23 de novembro de 2005

Bush perdoa perus e os envia em viagem para Disneylândia

Palavras para quê...? É o presidente mais estúpido do mundo, eleito pela maioria dos americanos... (pelo menos os da Flórida)

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WASHINGTON (Reuters) - Foi um sonho tornando-se realidade para Marshmallow e Yam, dois perus sortudos da cidade de Henning, Estado de Minnesota, Estados Unidos.
O presidente do país, George W. Bush, os poupou de se tornarem o prato principal no jantar de Ação de Graças e, para completar, enviou os dois para uma viagem com tudo pago para a Disneylândia.
"Eu sei que Marshmallow e Yam sentirão-se muito bem caminhando pela ensolarada Califórnia e se lembrando dos dias frios em Minnesota", disse Bush ao comparecer a cerimônia anual de perdão ao peru ao lado de seu vice, Dick Cheney.
"A concessão do perdão a um peru não é uma responsabilidade que eu levo na brincadeira", acrescentou Bush.
O presidente acrescentou que os perus foram batizados com seus nomes depois de uma "eleição nacional" no site da Casa Branca. "No final, os eleitores fizeram sua escolha, e foi uma eleição apertada. Vocês podem dizer que foi pescoço a pescoço", disse.
Marshmallow foi designado o peru nacional de Ação de Graças na cerimônia. Já Cheney abriu um largo sorriso enquanto o tratador do peru de 16,8 quilos o colocava em cima da mesa.
Yam, o peru alternativo nacional, foi nomeado apesar de não estar presente. O dia de Ação de Graças ocorre será em 24 de novembro.
Nos últimos 15 anos os perus sortudos o bastante para receber o perdão presidencial eram enviados ao Frying Pan Park, em Virgínia.
Mas Marshmallow e Yam, em vez disso, viajarão para o ensolarado sul da Califórnia e terão uma aposentadoria de estilo na Disneylândia, em Anaheim. Eles terão lugar de honra do desfile de Ação de Graças do parque temático.
"Marshmallow e Yam ficaram um pouco céticos em irem para um lugar chamado Frying Pan Park (em português algo como Parque da Frigideira)", disse Bush. "Eu não os culpo."
O grupo de defesa dos direitos dos animais People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), pediu a Bush que não enviasse as aves poupadas ao Frying Pan Park, local em que, segundo o grupo, as aves morrem por negligência ou por más condições de vida.
ESCULHAMBAÇÃO
Creio que também se pode escrever com "o", dada a origem, a minha palavra nova favorita. Não tenho outra melhor para descrever o que meio mundo tenta fazer com o outro meio. Os políticos esculhambam com o povo (que é a gente), os "pastores" e padralhada em geral, esculhamba o povo (e as finanças, já de si depauperadas, do mesmo) e esculhambam o que restam dos nossos neurónios todos os que tentam encontrar explicações para o mundo e formas de ganhar fama, fortuna e felicidade a tempo inteiro. Ora se fossem esculhambar a mãe deles... O que me conduz à minha segunda palavra favorita: Sacanagem.
Mas sacanagem ficará para outro dia...

21 de novembro de 2005

NO FUNDO DO MAPA

Parece mentira, mas cheguei ao fim do Brasil. Do alto do Maranhão, até ao Rio Grande do Sul. A deslizar, aos ésses, pelo mapa abaixo. A descobrir os Brasis.
Desconfio que Porto Alegre vai ser a minhas ruína, com os seus sebos (alfarrabistas) maravilhosos, as praças cheias de árvores e uma variedade gigante de churrascarias. Além das ruas largas para passear.
Está calor (perto de 30 graus). Em Portugal, toda a minha gente bate o dente de frio. Aqui a canícula.
Em cadernos espalhados, um romance que progride em velocidade de cruzeiro. E isso, para mim, não é um detalhe ;)

20 de novembro de 2005

LIVRO DE CRÓNICAS

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Já se encontra distribuido o meu último livro. Crónicas, neste caso, publicadas em vários jornais e revistas. As que me pareceram melhores. Repito, pareceram.
O MEU QUERIDO TITANIC, é isso mesmo, como o nome indica, uma reflexão optimista sobre Portugal e sobre nós próprios.
Mais informações no site da oficina (www.oficinadolivro.pt), favor saltarem tudo o que for flor e irem directos ao livro.
... E 2

"Dentro do envelope estavam as passagens aéreas, bilhetes de ida e de volta, um talão de cheques de vinte folhas tinindo de novo, um álbum de fotografias do casalzinho de namorados, e a série de documentos originais dos quais o banco exigira cópia. Só isso. Um contratempo de lascar! (...) Acenei para um táxi que passava e disse ao motorista a famosa frase do cinema americano: siga aquele carro!, ou melhor, ônibus! E assim fomos até alcançar o coletivo parado no fim de linha de Luís Anselmo, vazio de passageiros.Não, ninguém deixou com eles envelope algum. Não, ninguém viu moça alguma falar de envelope esquecido com ela. Não, ninguém lembrava de uma morena bonita com envelope amarelo e livros nos braços. Entrei no ônibus e constatei que não, não havia nenhum envelope abandonado sobre o banco.
Foi uma manhã difícil, dividida entre providências para obtenção de novas passagens (...)cancelamento e obtenção de novo talão de cheques, e as tarefas típicas de uma manhã em assessoria de imprensa. Lá pelas onze horas recebi um telefonema da gerente da minha agência bancária. Pensei: o talão está pronto.
Não, não era o talão. A bela morena estava lá, na agência, com certo envelope amarelo nas mãos, a procurar por mim. Encontrei-me com a morena meia hora depois. Ambos, felizes, por motivos diferentes. Conferi o conteúdo do envelope. Ela me disse não mexi em nada, está tudo aí, como o senhor... é... você deixou. Quis recompensá-la financeiramente e ela recusou. Na verdade, esticava a conversa e mantinha um sorriso permanente no rosto..."

E paro aqui a transcrição, por razões que a decência, o decoro e sem-vergonhice dos deuses pedem... ;)
SACOLAS 1

Sobre o hábito dos brasileiros ajudarem quem viaja de pé nos "ónibus" carregando os sacos, recebi do meu amigo e escritor Carlos Barbosa um relato. Por questões de espaço, reproduzo apenas alguns excertos,pedindo desde já perdão pela edição apressada.
Sobre a história... se é verdade, não sei. Só sei que foi assim:
"Sexta-feira seria dia dos namorados. Minha namorada morava na Baixada Santista, litoral de São Paulo. Amanheci a quinta-feira decidido a curtirmos juntos aquela data e um fim de semana especial(...)Durante o dia, adotei providências para aquisição de passagens aéreas, retirada de talão de cheques ? estávamos nos anos 80, do século passado ? e revelação de fotos da última viagem(...) Dei por encerrado o expediente lá pelas 22:00 h. Fui a pé até a estação da Lapa e tomei o ônibus coletivo para minha modesta Vila Laura.Como sempre, viajei em pé no interior de um lotado coletivo, entonado em um absurdo terno para o calor de Salvador.
Foi então que bela morena se ofereceu para levar no colo o gordo envelope que prendia desajeitado debaixo do braço. Era estudante, pelos livros que conduzia. Entreguei o envelope à moça e a imaginação aos prazeres que me aguardavam mais ao Sul na noite seguinte. E assim transcorreu a viagem, a subir e a descer ladeiras, o motor do ônibus reclamando alto do esforço dele exigido para vencer tamanhos aclives. Saí do devaneio ao avistar o mercadinho que marcava meu ponto de descida. Acionei a campainha e me adiantei no corredor, descendo leve e fagueiro tão logo o ônibus parou no ponto.Ao me aproximar do edifício em que residia, lembrei-me do envelope. Meu coração disparou. O envelope havia ficado com a moça no ônibus! Subi a ladeira correndo, aflito. Ao chegar no ponto onde descera ainda pude ver a traseira do ônibus sumindo-se na curva da rua, uns trezentos metros adiante...

19 de novembro de 2005

A IRRELEVÂNCIA

Dos locais onde passo (e que têm tv por cabo, que são tão escassos como o meu orçamento...), das visitas aos jornais da net, chega-me a confirmação do que eu já sabia: Portugal tornou-se irrelevante. As notícias são de caca. Os políticos são de caquinha. Os grandes desígnios nacionais têm a dimensão de um monte de beatas na paragem do eléctrico (enfim... talvez um pouco menos, o exemplo peca por excesso). A nossa europeização trouxe-nos as estradas, as roupas decentes, a subida da escolarização e, claro, o sonho consumista. Mas levou tudo o que tínhamos de interessante. Ou quase tudo, se a comparação for com outros países da mesma Europa moribunda.

OUTRAS COISAS QUE SÃO O MESMO

No Alto Xingu os índios assistem aos jogos de futebol, via antena parabólica. As camisetas da selecção a substituir as pinturas antigas. Mais um esforço da civilização e integrarão o cortejo dos periféricos.

No Pantanal discute-se sobre a instalação de usinas de álcool, poluentes e que trarão consigo as ininterruptas filas de camiões. Em breve não haverá mais animais. Só campos vagamente arborizados ao lado de estradas cada vez mais desertas.

No Balneário Camboriú, Santa Catarina, os mesmos prédios que destruíram o Algarve. Com a diferença que aqui ainda estão a nascer à força toda. E nem esperança de pararem a sua reprodução monstruosa. Se o mar se retirar, ofendido, não estranhem.

Tenho de telefonar para uma das igrejas (dos milhares de...) que negoceiam directamente com Deus e pedir-lhes que perguntem ao Divino por que se dá Ele/a ao trabalho de fazer tudo isto devagar... Não seria melhor fazer aparecer um cilindro gigante que reduzisse a originalidade humana a pó? criar um piso de único de terra batida no Globo?

18 de novembro de 2005

AO SUL

Não sei se foi de ter sido levado logo para o Pântano do Sul. Acordar estremunhado, um autocarro que se adiantou (já de si, estranhíssimo), um café açucarado... os amigos que aparecem ainda de cabelos no ar e nos abraçam. Depois o carro pela estrada verde em direcção ao Sul. Deve ser por tudo isso que os Açores me vieram logo à cabeça. Nas caras das pessoas, no sotaque, no verde que se espalhava pelas colinas. Por todo o lado, marcas toponímicas desse povoamento. E por fim, a baía enorme, perto do local onde as baleias vinham procriar.
Em tempos, imaginei (em O MAR POR CIMA) que existiria um canal, formado por uma corrente secreta, entre duas ilhas. Hoje sei que existe. E liga o arquipélago dos meus anos verdes ao pé descalço do Brasil.
Ainda bem que cá vim.

16 de novembro de 2005

CARAS
Numa sorveteria de Santa Catarina descubro uma revista CARAS. A versão brasileira é tão cretina como a portuguesa. E os repolhos que lá aparecem foram adubados com o mesmo cocó de vaca.
Ana Maria Braga, a apresentadora cantante vinha lá. Estava com um ar quase tão feliz como esta manhã quando contava ao papagaio: "Sabe como se chama um português inteligente?" "Noooummm...", "Turista!. Foi um fartote de riso. Vê-se que não tem viajado pelo Nordeste, nem tem tomado conhecimento do nome do país que mais tem investido no Brasil nos últimos tempos. Enfim, louras. E fora de prazo, ainda por cima. Mas a CARAS gosta.

PS: Um baiano amigo chamaou-me a atençao para a perda de compostura do que acima ficou escrito. Tem razao (nao acho os tils, aqui no Pântano do Sul, deve ser da chva...). Erro meu. Mas a loura e a porra do papagaio abalam os nervos de qualquer um. Quanto mais... nervos de português ;)

11 de novembro de 2005

NIEMEYER EM SÃO PAULO

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Memorial da América Latina-Átrio do Auditório (SP)
PRÉMIO

mesmo à distância, não posso deixar de reproduzir (com as devidas vénias autorais) esta foto, publicada hoje no Público.
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"Um Sadhú (homem-santo indiano) com pasta de sândalo na fronte depois de um banho madrugador no rio Sangam"

E de lhe atribuir, a título pessoal, o prémio A FOTO MAIS ESTÚPIDA E SEM INTERESSE 2005.
Parabéns aos editores pela escolha.

10 de novembro de 2005

COISAS BRASILIS

Levo desta viagem várias lições. Sendo que a primeira é a de que se pode viver uma vida mais generosa.
A Europa está velha. Uma velha senhora que aprendeu com os erros e por isso se tornou um dos locais mais seguros de viver. Sem ter a decadência dos Estados Unidos que nos oferece de bandeja a visão do fim de um império, o nosso continente perdeu algumas qualidades da juventude. A primeira, a possibilidade de se surpreender e maravilhar com o desconhecido. A segunda, a capacidade de acreditar na bondade.
Aqui, no Brasil, tenho sido recebido como um amigo. Por razões que não têm nada a ver com o maior ou menor grau de sucesso do meu trabalho. Apenas porque fui apresentado como um amigo de um amigo. E gostaria de pensar que nessa apresentação ia incluída a expressão "um homem de bem".
Quem em Portugal continua a receber de forma continuada gente desconhecida, apenas porque está de passagem e precisa de dormir ou comer? Quem faz tudo o que pode para ajudar sem pedir nada em troca? Quantos de nós?
Hoje, no autocarro/ónibus uma pessoa sentada voltou a oferecer-se para me segurar no colo a mochila, para que eu viajasse de pé com mais conforto. Quando agradeci, limitou-se a dizer "de nada", quase surpreendida pela minha gratidão. Esta é uma prática comum em todas as terras por onde passei.
Levo desta viagem a certeza de que se pode viver com pouco e ainda partilhar com os outros.
Enquanto europeu, estava a ficar esquecido disto.
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8 de novembro de 2005

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Caros amigos, chamo a atenção para o encontro de amanhã na USP, convite amável do Centro de Estudos Portugueses da referida universidade. Falaremos do meu trabalho, desta viagem pelo Brasil e de tudo o que a informalidade e o interesse sugerirem.
No edifício de Letras, sala 266, 14 h.
ps: Não trazer terno, gravata ou perguntas difíceis, por favor...
EX VOTOS - Salvador (BA)

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NIEMEYER - IGREJA DE SÃO FRANCISCO (BH)
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Sorveteria de Salvador

7 de novembro de 2005

SÃO PAULO
A gente sempre imagina as coisas. Até as cidades. Antecipamos a sua dimensão, a forma dos prédios, a dificuldade em navegar no seu interior.
E no fim, as coisas são sempre diferentes.
S.Paulo também. Surge grande e metropolitana como se pensava. Como Londres ou Paris.
Só que mais quente. Com brasileiros dentro em vez de franceses. O que, sem querer desmerecer mes amis, me parece bem mais interessante.
Em S.Paulo recupero o olhar das minhas personagens em construção. E foi fácil saber onde elas passaram, o que viram e sentiram...

3 de novembro de 2005

OURO PRETO

Uma coisa é certa: os nossos antepassados comuns deveriam ter uns músculos de perna capazes de impor respeito. Ouro Preto edifica-se sobre colinas íngremes. Na verdade, desconfio que as igrejas foram puxadas inteiras lá para cima com cordas, antes de ficarem em equilíbrio durante séculos.
O conjunto monumental é impressionante. Mais uma vez seria difícil encontrar no país-origem igrejas tão bem construídas ou tão ornamentadas. Afinal, nem todo o ouro fez a triangulação histórica em direcção a Inglaterra. Uma boa parte ficou por cá, colada aos altares e à decoração das capelas. E ainda bem.
As estátuas do Aleijadinho impressionam sobretudo pelo olhar. Não é preciso ser vidente para reconstituir o rosto do artista. Ele repete-se imagem após imagem. O mesmo olhar cansado e descrente. A mesma decepção com a vida terrena. Até a pose distorcida de muitas figuras nos remete para o seu autor.
Outro problema de Ouro Preto é a comida: é boa de mais. A comida mineira em todo o seu esplendor. Do feijão tropeiro aos assados, da galinha caipira a... sei lá a quê! A tudo.
Nossa senhora das dietas me proteja.
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1 de novembro de 2005

BELO HORIZONTE

Chegar de autocarro/ónibus tem algumas vantagens. Como as distâncias entre as cidades são medonhas, tudo medido em milhares de quilómetros, o corpo moído pelos buracos das estradas vai-se habituando à paisagem. Acontece que voei de Salvador até à capital de Minas Gerais.
Aí entra a imaginação. A ideia do solo revolto em busca dos minérios tinha criado no meu espírito a ideia de ir encontrar um terra plena de elevações (o que é verdade) mas árida. Despida de vegetação. Ora foi uma surpresa quando o avião se começou a abeirar da terra e o verde das colinas se meteu a cobrir tudo. Chovia, ainda por cima, o que fazia um contraste interessante com o calor da Bahia.
Belo Horizonte faz-me lembrar Lisboa. Talvez seja pelos jardins, ou pela mistura de prédios dos anos 50 com outros acabados de construir. Ou pelas avenidas largas que remetem para a Av. da Liberdade ou para a Fontes Pereira de Melo. Cidade tranquila onde a gente se sente em casa, portanto.
Claro que com a minha perícia na interpretação de mapas ainda não consegui ver grande coisa, ocupado em dar voltas e voltas ao mesmo quarteirão;;;
(suspiro)

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31 de outubro de 2005

CULTURA DESTE LADO DO MAR

Passo a vida a fazer figura de ignorante respondendo à pergunta "Já leu o escritor x". Julgava ter lido alguma coisa de literatura brasileira contemporânea, mas parece que não. São tantos os nomes que só me resta dizer "Nunca li". Verdade seja dita que por aqui, mesmo entre as camadas mais eruditas o desconhecimento é igual. Saramago, Pessoa e Eça estão totalmente integrados no imaginário. Mas Sophia é uma desconhecida fora dos meios universitários, bem como Herberto H. e por aí fora.
Por outro lado, começa a falar-se dos nomes novos da literatura portuguesa, com alguns equívocos pelo meio. Enfim, por algum lado teremos de começar. O que me conduz à pergunta:
O QUE ANDAM A FAZER OS NOSSOS ADIDOS CULTURAIS, EMBAIXADORES, CONSULES E QUEJANDOS? Quer dizer: além de roçarem o cu pelas cadeiras antigas e ganharem uma fortuna, enquanto um país inteiro se mantém convencido que Portugal é um país de idiotas, prepotentes e provincianos. Mas essa questão por ser demasiado séria e irritante ficará para um post... posterior.

27 de outubro de 2005

SÃO SALVADOR
"A terra de nosso senhor, nosso senhor de bonfim... Bahia oooohh...."

O autocarro cheirava um bocado mal. Mas quem me mandou escolher o lugar 37, junto à casa de banho, onde ninguém deveria defecar. Na madrugada, quando o corpo doído da tentativa de imaginar uma cama num assento duplo já se repousou, chega-se no terminal moderno.
Quem chega do interior é como se chegasse da dor: temos vontade de nos lavarmos no mar, na alegria musical, na perfeição física que nos espanta.
A estátua de Castro Alves, o poeta, espreita a água lá embaixo, não longe da encosta que os portugueses galgaram e mais tarde se encheu de putaria. E de putaria esteve o Pelourinho cheio, a zona central que inspirou Jorge Amado. Por todo o lado se avistam as páginas lidas: Jubiabá virou stand de automóveis, Gabriela é nome de cachaça com mel e canela, Teresa Batista e Pedro Archanjo são ruas onde a música explode a toque de percursões várias.
Mesmo trazendo o estigma da nacionalidade invasora fazem-nos sentir em casa. Mulatas e negras lindas nascem da calçada que mudou de nome, enquanto os "negões" se chegam às turistas brancas, muitas louras, e quem sabe onde a noite irá parar.
Chega-se a Salvador e percebe-se por que todos os lugares estão cantados. "Naararamm em Itapuã...".

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22 de outubro de 2005

DICIONÁRIO

Quando se viaja pelo Brasil, há palavras que convém saber.

MURIÇOCA: coisa irritante que vem não se sabe de onde e nos tira o que nos faz falta. O mesmo que mosquito.
MOLEQUE: o mesmo que muriçoca: PÉ DE... Coisa que no Brasil se come.
CORAL: animal que não se deve pisar.
CASCAVÉL: o mesmo que Coral, mas mais discreta, com excepção do guizo (TSSSSSSSSSsssss)
POLÍTICO: Muriçoca que gostaria de ser Coral. Pessoa mais cara de subornar que um polícia de trânsito. (ver "Mensalão").
POVO: local onde o político coloca o pé para não ser picado pela honestidade.
O BLOGUE

Enquanto faço as intermináveis viagens de "ónibus", neste país-continente, ou atravesso de balsa um rio onde os turistas se esqueceram de ir, penso como gostaria de ir partilhando isso com os leitores do Prazer_Inculto.
Mas depois o tempo falta. E os cyber-cafés encontram-se frequentemente fora de mão.
Vai-se fazendo o que se pode.
CHAPADA DIAMANTINA
Há poucos locais na terra assim tão interessantes. O desenho rectangular das montanhas, a lembrar os canyons americanos (mas em verde), as florestas e os rios que pedem que se cruzem para cá e para lá. As cachoeiras que surgem no final dos percursos difíceis e lavam todo o esforço.
Ainda bem que a tv só fala no Rio e na violência do Brasil. Mais sobra para quem se faz à estrada e descobre que a beleza tem muitas formas.
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17 de outubro de 2005

VALE DA LUA

Quando achamos que já vimos tudo, descobrimos o Vale da Lua. Ou, dezenas de horas de autocarro depois, a Chapada Diamantina. E aí, a surpresa, recomeça.

7 de outubro de 2005

MILHARES DE QUILÓMETROS DEPOIS
Para quem chega de mochila às costas, as sandálias ainda com restos de lama do rio Tapajós e os olhos cheios das dificuldades do povo do nordeste, das histórias dos caboclos que vivem com e da floresta, Brasília impressiona.
Avenidas largas numa cidade desenhada em forma de asa de avião, cortada a meio pela fuselagem. O projecto do presidente Juscelino, em finais dos anos 50 transformado pela mão de grandes arquitectos numa maravilhosa metrópole. Por algum tempo descanso do esforço de atravessar um país com tanta beleza como problemas sociais, um povo gentil na sua grande maioria atormentado, noutros lugares pela insegurança e pelas consequências da pobreza terceiro mundista.
Pouco desse Brasil se vê nesta Brasília exaltante de edifícios e civilidade.
Sento-me no interior dos vitrais azuis do Santuário Dom Bosco e respiro antes de voltar a pôr a mochila às costas.
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22 de setembro de 2005

TERRA BRASILIS

Nos próximos meses é deste lado do mar que vou escrever.
Começo por São Luiz, no estado do Maranhão.
Eta terra mai porreta!
A arquitectura é uma maravilhosa reminiscência de um tempo que não foi em tanta coisa maravilhoso, os séculos XVIII e XIV. Casarões altos, pintados de azul claro, vermelho, branco, naquelas combinações de cor que só existem deste lado.
E o mar (que não experimentei- ainda comido pelo jet lag e pelo calor gigante) azul e verde ao mesmo tempo.
Mas o mais surpreendente de tudo, para mim, é a descoberta de que me encontro numa feira gigante. São milhares, as lojas e bancas que vendem tudo o que o povo gosta. Com muita música e altifalantes que gritam, com voz abafada, de dentro das lojas: "Aproveitem, que Dona Graciela deu ordem de baixar tudo!".

19 de setembro de 2005

SENSO COMUM

Parece mentira, mas esta semana concordei duas vezes com o que escreveu o João Pereira Coutinho no "Expresso". Nomeadamente no artigo em que se manifesta (por uma vez, benza-o Deus!) de forma sensata sobre a forma como a "homossexualidade" é tratada, hoje, em Portugal.
Num mês em que tivemos ao mesmo tempo, grupos de ignorantes, a apelarem ao ódio contra tudo o que não invista contra as mulheres (a não ser outras mulheres) e um bando de araras a dar o espectáculo patético da sua ignorância, enquanto vestem (com um gosto de fugir, na minha modesta opinião) uns bezerros condescentes, J.Pereira Coutinho vem lembrar que não há mérito nenhum na orientação sexual. Que existem pessoas. Que o sexo é amoral. Que sempre foi e tudo o que se possa elaborar à volta não passará de adjectivação.
Isto é do senso comum, claro. Mas nem por isso menos importante de ser lembrado.

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18 de setembro de 2005

VIDEORUN 2

Estou a ficar velho para isto,lol!
48 horas depois, um filme melo-melo (lol!), formalmente dos anos 70, aqui estou para testemunhar que estou vivo.
O resto dos participantes também, quanto aos filmes, ainda não vi: o júri está lá dentro. É a vez deles.
O divertimento foi nosso.

16 de setembro de 2005

VIDEORUN

48 horas para fazer um filme.
É mais uma (a 3ª) das maratonas organizadas pela Restart, escola de novas tecnologias.
18 equipas a competir para 3 prémios, mas sobretudo juntas pelo acto de criar. E divertir-se.
E a provar que é possível fazer um filme sem meios financeiros e num tempo de captação e montagem... ridículo.
:) Lá estaremos, pelo gozo.

11 de setembro de 2005

LIVRO DE CRÓNICAS

A pedido de muitas famílias resolvi reunir, rever e publicar as principais crónicas bem como alguns textos que saíram na Imprensa nos últimos anos.
Hesitei durante muito tempo. As crónicas têm por natureza um carácter de tal maneira ancorado no quotidiano que muitas vezes ficam datadas, ao ser lidas mais tarde.
Escolhi entre dezenas delas. As que me pareceram mais intemporais e ao mesmo tempo, mais emocionadas ou irónicas. Penso que talvez façam sentido e ajudem outras pessoas no processo de reflectir sobre as nossas vidas, neste país pequenino, que amamos apesar dele.
A sair lá para o fim do ano, passo a publicidade.

8 de setembro de 2005

ELEIÇÕES ANTARTICAS

É formidável tropeçar nos debates para as autárquicas. Políticos apelam ao coração dos votantes dizendo nomes de freguesias com que até há pouco tempo nem sonhavam, locais que nem sabiam existir do lado de lá da autoestrada.
Tudo muito sério, a fingir que vão mesmo mudar alguma coisa.
Esta classe política pode contar desde já com... a minha abstenção.
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7 de setembro de 2005

EDUCAÇÃO

Se ainda houvesse alguma dúvida sobre o tipo de formação que estamos a dar ao ppl mais novo, bastaria ver a última campanha da TMN para ficar esclarecido:
"KRAVA"- Se não tiveres dinheiro para chamada crava uma ao destinatário...

Já o Sapo messenger, diz "Passa a vida a curtir com os teus amigos...".

:) Ainda bem que o país está rico e que as novas gerações não vão ter de mexer uma palha para sobreviver. Ufa! Olha se fosse como no resto do mundo onde quem não trabalha não come...

4 de setembro de 2005

HARRY POTTER E O PRÍNCIPE MEIO-SANGUE

Por imperativos familiares (digamos assim) lá tive de enfrentar as mais de 600 páginas em inglês do último livro da J.K.Rowlings. Isto já me tinha acontecido antes (o que faz de mim, o único escritor português que, não só não leu o Proust aos 12 anos - ao contrário de tantos e tantos intelectuais portugueses - como ainda leu os 6 volumes da colecção.
Confesso que desta vez me custou mais começar, já que o último (A ORDEM DA FÉNIX) era tão grande como fraquinho, mas, para meu espanto e alívio, a autora recuperou a mão.
Tolos os que desprezarem as capacidades de escrita e de mimetismo com os seus leitores que crescem, livro após livro. Ela vende, porque é boa no que faz. Ponto.
Para os tios e pais que quiserem fazer um brilharete junto da miudagem, adianto que o Ron e a Hermione se entendem, finalmente, o irmão Bill, caçador de dragões fica com a cara num frangalho. E, mais importante do que tudo, DUMBLEDORE MORRE ÀS MÃOS DE SNAPE (esse canalha de cabelo seboso, raios o partam!). Hogwarts deverá fechar, mas o solitário Harry não se importa porque no último livro terá de enfrentar definitivamente Aquele-Que-Não-Se-Pode-Dizer-O-Nome.
Boa sorte com as novidades ;)
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LIVROS

Pode ser de estar em vésperas de viagem. E de poder ser como as grávidas que só nessa altura é que reparam que o mundo está cheio de carrinhos de bebé... Mas só agora li o volume que compila as crónicas que Gonçalo Cadilhe publicou no Expresso. Juntou-as sob o título de PLANISFÉRIO PESSOAL. E é disso mesmo que se trata. Se um percurso de escolhas pessoais; o que quer ver e o que não lhe interessa; afastar-se do turismo de massas em busca do que resta de autêntico num mundo cada vez mais igual. Divertido, inteligente e profundamente humano.
Ao longo de 250 páginas, Gonçalo Cadilhe lembra-nos que o nosso lugar no globo é humilde; que há injustiça por todo lado; que o país onde pertence é pequenino e frequentemente mesquinho e que mesmo assim se sente a falta dele.
Um livro pessoal, muito bem escrito (repito, numa altura em que tanto lixo se publica sob a forma de relato de viagem: muito bem escrito!).
A não perder.

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BLINDNESS

Muito interessante a adaptação de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, pelo Bando, a partir do romance de Saramago.
Fiel ao espírito do livro e ao texto, a encenação relembra a força do trabalho do escritor.
A escolha da música também é muito boa, "cinematográfica" na forma como pontua todo o espectáculo, fraqueja apenas no final, grandiloquente de mais, contrastando com o trabalho anterior.
A cenografia é das mais engenhosas que se tem visto nos últimos tempos, por cá.
A segunda parte do espectáculo é mais desiquilibrada, mas ainda assim, bastante interessante.
A ver. Num tempo onde a cegueira ainda persiste...
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24 de agosto de 2005

CASA
Já estiveram dentro de uma onde é preciso fechar todas as portas e janelas para que o fumo que cobre toda a região envolvente não entre? Venho agora de lá.
Também subi ao cimo de serras, onde 5 ou 6 incêndios tinham deflagrada ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo. No centro do país, os bombeiros já sabem: 2h da tarde é hora de pôr o capacete e começar a apagar umas das várias frentes do fogo que vai rebentar. Mão criminosa, sim. Por todas as razões.

19 de agosto de 2005

A FÁBRICA DE TIM BURTON

Conheço poucos realizadores que peguem em géneros marcados e os transformem, como o Tim Burton. "Char. e a Fábrica de Chocolate" é uma adaptação formidável do célebre livro infantil. O mundo onírico a roçar o delírio. E a crueldade habitual a levar putos insuportáveis para o merecido destino.
Claro que o melhor de tudo são os números musicais dos Umpa-Lumpa, mas isso não é novidade: o que se poderia esperar de pessoas que sobreviveram aos terríveis animais da sua terra construindo casulos nas árvores?!

18 de agosto de 2005

A NORTE

Sabemos pouco do Norte, os que vivemos a Sul. As televisões ignoram-no, os jornais afloram o que por lá se faz. É por isso, sempre com emoção que subimos acima de Guarda, que se mergulha em território transmontano. Se sobrevivermos aos Ips, entramos em estradas sinuosas, ladeadas de montes altos, serras, montanha. A terra a retalhar-se em socalcos cobertos de vinha. Em baixo, muito em baixo, o rio. O Cávado, o Douro... e os outros todos de que lembramos os nomes apenas dos livros escolares.
As cidades cresceram desmesuradamente, descaracterizando-se tanto como a Sul. Pressuponho que as populações vivam melhor do que antes, no meio de tantas casas e ruas. Na verdade vi por todo o lado "Centros de Cultura", falta-me saber se com programação regular, mas acredito que sim.
O povo é afável e pronto a ajudar nas direcções: "Estás a ver a Sá Carneiro?! (não, não estava...) Vais por ela adiante, chegas lá à frente e viras para a Bouça...". Na mesa, a carne. A posta. Mirandesa ou de outro lado qualquer. Já para os legumes, só na sopa, benza-os deus. E tantos que por lá se avistam, luxuriando-se nas hortas, junto aos caminhos.
Sabemos pouco do Norte, aqui, no Sul. Mas bem-haja a renovada descoberta que fazemos em cada viagem.

5 de agosto de 2005

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O SALTO À VARA

Com os campeonatos de Helsínquia a começar, não percebo porque anda tanta gente admirada com a nomeação de Armando Vara para director geral da Caixa G. Depósitos.
Ele é a prova que a universidade não faz falta nenhuma. Basta tirar o 12º, entrar na política e um dia tem-se os economistas mais laureados a fazer vénias à passagem.
ps: depois da nomeação de uma criatura com as capacidades de Celeste Cardona, pelo anterior executivo, já nada me surpreende.
ps2: a não ser, talvez, um grilo que aprendesse a escrever argumentos... Bah, deliro! É do calor.
LISBOA

O menú para hoje, na capital é assado no forno.
E os frangos que se contorcem no calor... somos nós.
Hilfe!

4 de agosto de 2005

O ANO DO BRASIL

Sabia que este seria o ano dele. Não sei como sabia, mas estas coisas são mesmo assim.
Parto no início de Setembro para percorrer esse enorme país de Norte a Sul. Pelas trilhas antigas, longe dos Maceiós e dos Portos Galinhas. Regressarei vários meses depois.
Pela primeira vez, desde que fui atrás do Sacha até França, aquando da MATERNA DOÇURA, não sei o que vou à procura. Na verdade, para ser honesto, vou tentar ver o que as minhas personagens já viram e não me querem dizer.
Se eu não sobreviver às viagens de barco com as populações da região Amazónica ou desaparecer algures perto de Ouro Preto... fiquem a saber que foi um prazer, este convívio de 3 anos de blogue.
Um Prazer_Inculto.
Lol! ;)

2 de agosto de 2005

ESCRITORES

Hoje convidei vários amigos escritores a colaborarem no blogue. Espero que eles o façam de vez em quando, pois além de serem bons na literatura, são boa gente.
E há poucos. Bons escritores e boa gente.
Num café de Lisboa vejo uma tapeçaria do Eça (não, não foi no falso Hotel Bragança que a câmara de Lisboa queria comprar por engano...). Penso que a maior parte da sua obra foi publicada muito perto da data da sua obra. Sobretudo após. O Eça está bem para Portugal porque está morto. Pode-se fechar o livro quando incomodar. E, com aquela linguagem... Vê-se logo que aquilo tudo só se podia passar no século XIX!

1 de agosto de 2005

CHATO, TANTAS MORTES NO IRAQUE!

"Os 2130 acidentes rodoviários registados pela Brigada de Trânsito da GNR na última semana causaram a morte de 19 pessoas. Outras 70 ficaram feridas com gravidade", in PUBLICO

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JORNADAS DA COVILHÃ

Por razões de agenda não me foi possível estar presente nos encontros literários da Covilhã. Parece-me, contudo, sempre boa ideia juntar escritores, estudiosos e público no mesmo espaço.
Entre outras conclusões, foi possível ouvir de Agustina: "como é o meu direito de mulher, já mudei muito; simplifiquei, tornei-me mais infantil». «Nasci adulta e morrerei criança, sempre voltada para o futuro».
Acrescentar o quê?

30 de julho de 2005

FÓRUM LISBOA

Aparentemente a Assembleia Municipal tentou fazer passar a "lei" que lhes permitiria dispor do Fórum Lisboa para seu uso exclusivo. Santana terá sido detido pela recusa da vereadora da cultura, M.Pinto Barbosa, que lembrou que estando o S.Jorge "em obras" (por assim dizer...) e estando firmados compromissos com diversos festivais e outras iniciativas, não seria uma boa ideia.
A coisa parece que ficou suspensa, por agora.
Relembro o agastamento dos membros da Assembleia, aquando da realização do Indie Lisboa (mais de 15.000 espectadores...) em serem "incomodados" no seu território. A organização teve de desmontar quase tudo, apagar os vestígios de que estava a acontecer um festival (interrompido um dia inteiro por causa destas aves raras) para que eles não "se perturbassem". Isto, num CINEMA PÚBLICO! Lá deixaram os motoristas dos mercedes e bmws (pagos com o nosso dinheiro, carros e motoristas) à espera, enquanto eles fingiam trabalho útil.
Agora voltam à carga. Tomar posse de um cinema com 400 lugares, além de várias salas e auditórios para se reunirem de vez em quanto.
Ao que pode chegar a prepotência e a pouca vergonha...

29 de julho de 2005

GOD BLESS STUPIDITY

Quando a direita está no poder em portugal (sim, com minúscula) além de termos de aturar o Nuno Rogeiro e o camarada Delgado, ainda levamos com o mito de que a América é o top da civilização. Custava-me a perceber de onde viria esta ideia. Agora já sei...

28 de julho de 2005

EM CHAMAS

Regresso da zona da Sertã, onde a família se viu a braços com um incêndio. Rodeados pelas chamas lutaram toda a noite para salvar a casa. Da estrada, os mirones e os bombeiros viam arder. "Desenrasquem-se que nós vamos para...", diziam do carro-tanque, a toda a brida, enquanto o fumo e o barulho do monstro cobriam o local. Nada de novo para as gentes do Pinhal. Agora olha-se para uma zona verde sabendo-se de antemão que mais ano menos ano alguém a terá mandado incendiar.
Está tudo negro e a cheirar a queimado no local onde ainda há pouco passeava com o cão. Já não há "mina" de água, nem raposas, coelhos ou pássaros. Algures no país haverá um madeireiro um pouco mais contente.
Os bombeiros, esses, passam pelas estradas, gritando Tinóni, Tinóni...
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24 de julho de 2005

BOMBING

Por todo o lado o cheiro dos explosivos. Em Londres, no Iraque... Ontem, em Sharm-El_Sheik. Para os que leram o B. and Mortimer o nome não será desconhecido. Para os que puderam mergulhar nos mares em frente à costa árida e rochosa ainda menos. Paredes verticais descem a pique, iluminadas por gorgónias e corais cérebro. Aqui e ali, as gigantescas e quase extintas esponjas crescem em tubo para a imagem da superfície. Com sorte, um tubarão-baleia passará como um navio por nós. Foi contra esta contemplação do mundo que os terroristas atacaram. Alguns julgam ir para o paraíso ao levarem consigo as vidas dos que trabalharam durante o ano inteiro para para ali chegar. Por mim, espero que vão todos ao encontro das 11000 virgens. De preferência, muito em breve.

ps: quantos egípcios ficarão sem trabalho com o medo provocado pelos atentados?
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22 de julho de 2005

CRÓNICAS DE SANTIAGO

Sem cedilhas e com poucos acentos...
A cidade cá está, flutuando na pedra. Peregrinos vejo poucos, mas muitos sao os que entram na catedral vestidos com filhos e sogras para tocar na cabeca do santo e ver de perto o altar-mor.
Santiago é a leveza e a pedra, o espírito dos que chegam e o bom acolhimento dos que cá estao.
Come-se o pulpo e os pimentos de padron, empurrados com Mencia ou Riojas... E fala-se. Muito. Na língua que nos atira para o cancioneiro e que lembra diariamente a Castela que a periferia nao pode ser um defeito de nascimento.
Em Santiago reencontra-se o melhor de cada português. Falo por mim.

15 de julho de 2005

ESTA SEXTA-FEIRA HOUVE GREVE

calhou bem, que o fim-de-semana está bom para a praia e anda muito funcionário em stress...

E AOS POLÍCIAS APETECE-LHES CORTAR PONTES...

Antes isso que cabeças nas esquadras... Por outro lado... sempre tinham mais prática.
DESISTIR É QUE ESTÁ A DAR

Conselho: vão à PT e peçam para rescindir o contrato do telefone.
Eles ligam-nos logo, para o telemóvel, oferecendo 50% de desconto no aluguer + chamadas grátis, entre muitas outras benesses, se mudarmos de ideias.
Estes administradores a 5000 contos por mês são mesmo nossos amigos :)
THE HALF BLOOD POPE

O ex-cardeal Rat-Singer (actual Pepino XVI ou lá que raio de nome é que se lembrou...) acha que as aventuras do amigo Potter pervertem o espírito do cristianismo no sentido em que ele o entende.
Fico mais descansado. Estava com medo de andar a comprar alguma coisa perniciosa para a família.
ovelha.gif

14 de julho de 2005

APAGUEI UM POST

porque não valia a pena. Quem é que em Portugal liga ao tráfico de influências? Como é que se prova, quando os governantes se escudam nas respostas dos assessores? Como é que se distingue entre o voluntarismo de um secretário de estado e o cumprimento (interpretativo) da lei?
E, sobretudo, quanto vale um lobby, no reino da luta pelos centavos?
Apaguei um post, porque não vale a pena.
Portugal está a deixar de valer a pena.

ps: vêm-me à cabeça as palavras de Agostinho da Silva: "Estou agradecido a Portugal por me ter mandado embora. Se não fosse isso eu não teria conhecido o que conheci ou aprendido o que aprendi".

12 de julho de 2005

BRASIL 3

No aeroporto de Lisboa, Catarina Furtado recebe-nos com uma altivez estudada, no cartaz publicitário. Ao lado, um outro produto, uma outra cara que não sorri.
Não sei como, mas tornámo-nos num país de arrogantes.
Numa pequenina bosta, de forma rectangular, que fecha fronteiras e se imagina importante por ter as moscas a voar em volta.
É só empurrar as malas até às Partidas, onde os taxistas não nos batem nem nos insultam, e estamos quase em casa.
Em casa, para partir.
BRASIL 2

Por toda a parte junto ao mar, lagoas e dunas o povo faz pela vida. "Quer espetinho? Refrigerante? Fazer aerobunda...? Não há melhor: tente que vai querer repetir".
Os homens movem-se por saberem que se pararem vem a miséria. De cima não virá nada, quanto muito notícias de um novo mensalão. O povão tem de ganhar o seu próprio feijão.
Por todo o lado o país enorme, a denunciar um potencial que por aqui nem se sonha.
"Já tentou a esquibunda? Olhe que vai gostar!".
Tieta passeia-se de mão dada com o fantasma de Jorge Amado. Em baixo, o mar verde.
BRASIL 1

Olham-se os primeiros coqueiros com a mesma alegria que o Pero Vaz de Caminha sentiu.
O vento sopra mas o ar é doce. Não estamos em casa e contudo abrimos o peito como quem chegasse a porto seguro.

2 de julho de 2005

MUITA TRABALHEIRA...
alegrias e aprendizagem com os processos e pessoas...
FÉRIAS :)))))